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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Resenha: Mentirosos (E. Lockhart) - Por Tiago Valente





                Impossível não morrer de vontade de ler Mentirosos, de E. Lockhart, após assistir o vídeo da Pam Gonçalves (Link). Lançado pela Editora Seguinte o livro, narrado em primeira pessoa por Cadence Sinclair, nos apresenta as tradições e os costumes da tradicional família Sinclair que se une durante as férias em Beechwood, sua ilha particular. Durante esse período, Cadence se une a três parentes e amigos, são eles Johnny, Mirren e Gat, juntos formam o grupo Os Mentirosos (Não... não é um grupo musical!). O mistério começa quando Cadence sofre um acidente que desestabiliza a família e transforma as relações entre os tios, avós e primos. O único problema é que ela não se lembra de absolutamente nada do acontecido no verão dos quinze anos. Após dois anos sem voltar à ilha, sofrendo com alucinações, dores de cabeça e depressão, a protagonista volta à sua casa em Beechwood e ao grupo dos Mentirosos, que preferem manter todo o ocorrido em segredo, assim como o resto da família.
                Enquanto tenta recuperar a memória, Cadence se vê rodeada por diversos dilemas familiares, como a cobiça de suas tias pela herança de seu avós, o sofrimento e a paixão por Gat, o único frequentador da ilha que não pertence à família, supostamente “perfeita”.
                A trama e os segredos são revelados aos poucos, podendo ser um pouco confusos no início, mas contribuem para o objetivo final e a resolução do mistério, que só é desvendado nas últimas 10 páginas do livro.
                Foi uma das melhores, senão a melhor, leitura de 2014, feita em apenas dois dias. A curiosidade de Cadence e sua forma irônica de contar a história são responsáveis por prender o leitor até o fim e nos fazer criar diversas teorias e possibilidades. O livro não segue uma ordem cronológica, mas sim de acontecimentos, me mostrando tudo o que eu preciso saber dos verões anteriores para entender o ocorrido no verão dos dezessete, mesclando informações da rotina da família e contos escritos pela própria Cadence, que conversam com a história paralelamente.
                A escrita de Lockhart me surpreendeu bastante, mostrando uma fuga dos clichês e ótima exploração do ambiente criado (tão complexo que precisou de um mapa no início da edição). Após chegar ao final não acredito que alguém não tenha vontade de recomeçar a leitura e perceber os mínimos detalhes. Para não estragar a surpresa do leitor, mas permitir um debate entre os que já leram, a Editora Seguinte criou um fórum no hotsite http://seguinte.com.br/mentirosos , depois de ler vale a pena conhecer a opinião de outros leitores. Lá também é possível enviar uma foto que represente o livro, ou contar alguma mentira sua (não é preciso se identificar ;D ).  

                Com um preço acessível, bem abaixo do que normalmente tenho visto, Mentirosos é um dos lançamentos mais aguardados e mais surpreendentes de 2014. É o tipo de livro que não me cansarei de indicar até que todo mundo tenha lido!      
     Até a Próxima!! :D     

sábado, 4 de outubro de 2014

Resenha - Lua de Larvas (Sally Gardner) - Por Tiago Valente



 A primeira leitura da Bienal 2014 foi Lua de Larvas, da escritora britânica Sally Gardner.

SINOPSE:
Quando seu melhor amigo, Hector, é de repente levado embora, Standish Treadwell percebe que cabe a ele, a seu avô e a um pequeno grupo de rebeldes enfrentar e derrotar a opressão permanente das forças da Terra Mãe. História de extrema originalidade e contundência. É impossível não se comover com a narrativa enfática e o heroísmo inesquecível de Standish.


   Por pouco o livro não é considerado um Haicai, os capítulos são bem curtos e deixam a leitura rápida. O início pode deixar o leitor confuso, mas a história vai se revelando aos poucos, aumentando a curiosidade pelo desfecho. 
   A inocência de Standish, e sua visão simples do mundo, da leveza a uma história tão pesada em que um governo totalitário controla seus cidadãos e os separa em zonas. Com a chegada do homem a Lua, vários acontecimentos transformam a vida de Standish, como a chegada de Hector, que em pouco tempo se torna seu melhor amigo. Os dois vivem aventuras imaginárias com o objetivo de chegar ao planeta Júniper, mas logo a diversão é interrompida quando Hector e sua família são afastados de Standish, e é quando a verdadeira aventura começa. 
   Standish vive com seu avô, que o ajuda a enxergar o mundo em que vivem da melhor forma, além de protegê-lo.
   Embora pareça infantil, o livro traz passagens realmente fortes como a morte de um garoto após ser espancado pelo diretor de sua escola, e a invasão da casa do protagonista, mas tudo do ponto de vista inocente do menino. 
   Foi uma das melhores leituras do ano, e uma das mais rápidas também, embora seja a quinquagésima trigésima sexta distopia, traz diferenciais pela sua premissa infantil e também por possuir um único volume (finalmente uma história que não precisa de 3 ou 4 livros para ser concluída). As ilustração conversam com a história, embora não a representem diretamente (são basicamente compostos por ratos, larvas e moscas).   
   O estande da WMFMartinsFontes na Bienal recebeu a autora para um bate-papo com fãs, mas infelizmente não encontrei vídeo ou texto sobre o evento :( Se você participou ou leu o livro, deixe suas opiniões nos comentários, 

Até a próxima! 
   

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Resenha - Quem É Você Alasca (John Green) - Por Tiago Valente

         
         Miles Halter, ou Gordo, tem sua vida transformada depois de ser transferido para o internato Culver Creek, no Alabama, e transformada novamente após cento e trinta e seis dias quando... Ok... Vamos deixar os spoilers pro final! O romance de estreia de John Green (dispensa apresentações) traz a mesma fórmula apresentada nos outros títulos publicados pelo autor e é fácil explicar o motivo de tanto sucesso.         
           

          No decorrer da história conhecemos Coronel, Takumi, Lara e a tal Alasca que juntos conseguem representar e trazer para as páginas todos os conflitos e dilemas dos adolescentes contemporâneos, enquanto o protagonista busca o seu “Grande Talvez”, umas das últimas palavras citadas no livro (uma fissura tanto de Miles quanto de John, responsáveis por diversos debates filosóficos entre os personagens) ditas pelo escritor François Rabelais.

            A personagem título, Alasca Young, é sem dúvida uma personagem diferente de todos os livros de Young Adult que eu já li, é o que faz o livro ser tão especial e o torna uma das melhores leituras do ano! O que mais me agradou foi que a história não é cheia de lições de morais (muito pelo contrário...) e os personagens são muito próximos da nossa realidade, característica não só de Quem É Você Alasca, mas também de todos os outros livros do autor, nos fazendo criar um laço com cada um e deixar aquela saudade quando a história termina.          


            O livro não é dividido em capítulos, mas sim em duas partes, Antes e Depois, e essas são separadas por dias (cento e trinta e seis dias antes até cento e trinta e seis dias depois) criando uma certa ansiedade por parte do leitor para esse acontecimento, algo não esperado que muda totalmente o rumo da história (veja abaixo).


            Como trecho favorito, não foi fácil, mas escolhi o momento do jogo “Melhor Dia/Pior Dia” durante o trote que Alasca e seus amigos organizam, em que Miles diz: “O melhor dia da minha vida foi hoje. E a história é que eu acordei ao lado de uma menina húngara bonita. Estava frio, mas não muito frio. Eu tomei uma xícara morna de café instantâneo e comi sucrilhos sem leite, depois andei pela mata com a Alasca e o Takumi. Jogamos pedrinhas no lago, o que pode parecer tolice, mas não é. Sei lá. Sabe quando o sol fica desse jeito, com as sombras alongadas e esse tipo de luz clara e suave que antecede o pôr do sol? É a luz que deixa tudo melhor e mais bonito. E hoje tudo pareceu estar iluminado por essa luz. Bem, eu não fiz nada. Mas só de ficar aqui sentado, mesmo que seja para ver o Coronel talhando um galho ou sei la o que. Quê seja. Foi um dia maravilhoso. Hoje. O melhor dia da minha vida.” .       


            Pra quem se interessou pelo livro e gosta de ser surpreendido o texto termina aqui, mas antes vale a pena falar da edição.  O material da capa é diferente da maioria e muito confortável. A WMFMartinsFontes já disponibilizava três capas diferentes (a que mais gostei e comprei foi a preta, que está no topo do post) e fez uma promoção em seu site para escolher três novas. Eu gostei muito das vencedoras e nem preciso dizer que Quem É Você Alasca já está na minha lista da Bienal

Quem é vc Alasca novas capas
--------------------------------------------SPOILERS A SEGUIR ---------------------------------------------        


      


          É quase impossível fazer uma resenha desse livro sem comentar a morte da Alasca. Eu já sabia que aconteceria antes de ler o livro, mas não deixou de ser surpreendente. Os momentos após a morte e o momento em que Gordo e Coronel descobrem o ocorrido nos trazem uma grande carga de emoção e são o ápice da história, tenho certeza que todos que já leram compartilharam a saudade da garota tão marcante, que preenchia todas as cenas em que aparecia.

            É inevitável que o livro tenha dado uma desacelerada após isso, e a investigação da causa da morte de Alasca me lembrou várias vezes as buscas de Quentin pelas pistas de Margot em Cidades de Papel, do mesmo autor, embora eu tenha achado que essa explicação para a morte podia ser um pouco mais criativa, isso não desmerece o livro como um todo. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

1984 (George Orwell) - Por Dourovale

   
 Por conta dos celulares e outras mídias que cabem na palma da mão, as pessoas estão cada vez mais curvas e olhando em direção ao próprio umbigo. O fato de não esticarmos a coluna, e perdermos uma visão de frente para o mundo, interfere diretamente nas opiniões e conclusões que criamos.
   No livro 1984, George Orwell, entre outras coisas interessantes, escreveu que na sua visão de futuro as pessoas não teriam opiniões próprias e apenas repetiriam o que o Big Brother dissesse.
Durante a leitura os que eram considerados bons ou maus para a sociedade mudavam com a mesma periodicidade que o vento muda de direção. Isso por si só já seria ruim, mas o pior é que as pessoas sequer percebiam que mudavam de opinião, Parecia-lhes que sempre pensaram daquela forma.
   Umas dezenas de anos já se passaram depois do 1984 gregoriano e não literário, contudo, parece que a profecia do britânico se concretiza.
   Se em terra de cego quem tem um olho é rei, nos tempos de Facebook e Whatsapp quem tem opinião própria é... eliminado!
   Pois é, estamos perdendo a capacidade de pensar pelos próprios neurônios. Faça um teste, poste em alguma rede social que você acha os seres humanos melhores que os cães. Você sofrera represarias, acredite. Alguém se lembra a enxurrada de críticas que sofreu a jornalista Rachel Sheherazade Barbosa apenas porque deu a sua opinião sobre um assunto. Concordar ou não com o que ela fala é a sua opção.
   Queriam que ela nunca mais aparecesse na TV ou dissesse qualquer opinião.
   Quando fui professor, nas décadas de 80 e 90, trabalhava com meus alunos a capacidade de pensar de forma diferente da sua própria ideia pré-concebida e gerar, dessa forma, uma opinião realmente pessoal.
   Hoje, assim como no livro de George Orwell, somos proibidos de pensar diferente. Temos que ser constante e politicamente corretos.
   Talvez eu esteja sendo muito cruel, pode pensar o leitor que não concorda comigo (sim eu lhe dou o direito de discordar com tudo o que eu falo ou apenas uma parte). Quer um exemplo de como estou errado? A Presidenta Dilma. Há os que gostam e os que não gostam. E todos os lados são politicamente corretos. Agora tente conversar com qualquer um dos grupos (prós e contras com relação à Dilma) e tente dar uma opinião radicalmente contraria ao que o grupo pensa. Eles não aceitarão seus argumentos e te definirão como integrante do outro grupo, mas de uma certa maneira desculparão teu ponto de vista e aceitarão.

 Faça algo melhor, misture os dois grupos e tente falar que há pontos positivos e negativos na administração dela. Os dois grupos vão te odiar porque não é admissível pensar diferente do que já foi pensado e convencionado.
   Tente ser criativo e original nas suas opiniões e acontecerá com você o mesmo que aconteceu ao personagem principal do livro 1984.
   O que aconteceu com ele?
   Leia o livro!