segunda-feira, 18 de junho de 2018

O PARQUE (por Dorival Valente)



O rei da brincadeira (ê, José)
O rei da confusão (ê, João)
Um trabalhava na feira (ê, José)
Outro com a literatura (ê, João)
Numa semana passada, no meio da semana
João resolveu não brigar
Na quarta de tarde saiu apressado
E não foi pra Paulista jogar capoeira
Não foi pra lá, pra Casa das Rosas, foi um livro lançar!

E não foi sozinho. Ele e mais cinco amigos (Mel, Silva, Driely, Tiago e Diogo) foram mostrar um pouco da jovem literatura paulista.
O  livro O PARQUE é isso: Brinquedos literários em forma de contos para você apreciar, distrair-se, contemplar,  aprender.
Nos anos 80 um livro, também de contos, foi o primeiro que li nessa forma, onde um mesmo assunto é tratado por diferentes autores. O Livro A MISSA DO GALO -  VARIAÇÕES OSBRE O MESMO TEMA, traz  contos produzidos a partir do conto  homônimo  de Machado de Assis.
 Curiando (não me lembro quem falava assim?) pela internet encontrei uma  poesia sobre o  tema, de Francismar Prestes Leal:
Parque de Diversão...

Quando a caravana
Do parque cruzava a
Rua de paralelepípedos,
A alegria me preenchia.

Corria até a montagem
Das máquinas e barracas.
E meus olhos luziam mais
Que as luzes dos painéis.

Quando abriam os portões,

O faziam em meu coração.
E eu voava parque adentro.

Maçã doce, algodão do amor.
Brincava, e cantava, e sorria.
Que saudade daqueles dias...!

Venha, vamos visitar O PARQUE


BRINQUEDO: ASPAS
OPERADORA: Mel Geve
A história traz o quase Romeu brasileiro (Dirceu) lutando para esquecer sua Julieta (Marília). O engraçado (e a vida é engraçada) é que, exatamente antes de começar a leitura deste conto, ouvi Iracema, do Adoniran Barbosa, uma música que também fala sobre viver (ou não) após a perda de um grande amor. O texto é uma Montanha Russa, idas vindas pensamentos gritos subidas descidas curvas medos incertezas. Emocionante!

BRINQUEDO: ABANDONADOS
OPERADORA: M.R. SILVA
Uma história que resgata e atualiza o folclore brasileiro. Nossas lendas e tradições (geralmente tão substituídas  por culturas alheias à nossa flora e fauna) merecem mais trabalhos como o este. Ao final do texto pensei em  “como é que seriam escritas As Reinações de Narizinho nestes tempos informáticos?”. O conto é bem descritivo  e faz o leitor acreditar que está em frente a um computador acessando um Vlog. Que nossas raízes nunca sejam perdidas!

BRINQUEDO: UNICÓRNIOS
OPERADORA:  DRIELY MEIRA
Eu sempre confundi Unicórnios  com o Pégaso, mas este não tem chifre e, nem em todas as versões, aqueles possuem asas. Coincidentemente (como eu tenho preguiça de escrever coincidentemente, muita letra para um significado simples) antes de ler O PARQUE eu li O Centauro no Jardim, do (infelizmente pouco lido pelos jovens) Moacir Scliar. Nele o Centauro sonha com um Unicórnio  alado. O texto da Dryeli Meira é introspectivo e trata sobre o lidar com diferenças e possibilidades. Leia o livro do Scliar! Leia o texto da Driely.

BRINQUEDO: SONHO DE UMA TARDE DE INVERNO
OPERADOR: TIAGO VALENTE
Dizem que Ulisses foi o “único” a ouvir o canto das Sereias e sobreviver. Para isso pediu para ser amarrado ao mastro do navio. Creio que não foi o único. Amarrando-se no barco da inspiração, o Tiago também ouviu, sobreviveu e nos contou. História bem amarrada, estruturada! Visitar um Parque de Diversões nos instiga a viver aventuras, superar bloqueios dificuldades. E se, por um acaso,  superarmos nossos medos e nos tornarmos heróis, quem vai acreditar? A resposta talvez esteja no conto, talvez não. Enfrente seu medo, leia!

BRINQUEDO: NÃO SE VOLTA DA TERRA DE ENURESE
OPERADOR: DIOGO MARINS LOCCI
Eu confesso e (como canta Gonzaguinha) confessar me alivia. Eu, como escritor, tenho muita dificuldade em acrescentar aos  textos as modernidades informáticas  contemporâneas. Como contar a emoção de uma  história onde a ação se passa numa conversa de whatsapp? Não sei (ainda não sei,  mas algumas vezes não sou de desistir fácil). Enurese é  um parque fantástico. O Michael  Jackson adoraria brincar por  lá. Texto intrigante. Muito bom!



BRINQUEDO: MILK-SHAKE DE AMORA
OPERADOR: JOÃO PAULO HERGESEL
O Amor é complicado, mas a paquera não. Há uma fase na vida em que a gente pensa que as paqueras são amor. Não são. Um texto dinâmico que retrata bem uma tarde adolescente, uma tarde de descobertas birras inconsequências e revelações. Assim podem ser as tardes no Parque. Gostei!
💎 Amazon (livro impresso): https://www.amazon.com.br/dp/8566626281
💎 Amazon (livro digital): https://www.amazon.com.br/dp/B07BJMMPKW
💎 Jogo de Palavras (livro impresso): https://jogodepalavras.lojaintegrada.com.br/o-parque
Os ingressos para este belo e literário Parque pode ser adquirido na Amazon books  ou com a editora. Liberte seu espírito jovem e venha para estas surpreendentes páginas. O PARQUE te espera!
Para terminar imagens de um parque da minha infância e juventude: Play Center


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Devaneios de uma Famosa em Apuros - Nohane Carvalho



Atribuo o fato de ler o tanto que leio à duas autoras: J. K. Rowling, e Sophie Kinsella. Os livros de Becky Bloom foram fundamentais na minha formação como leitor e responsáveis pelo fim de diversas ressacas literárias.

As páginas de “Devaneios de uma Famosa Em Apuros” me trouxeram de volta à atmosfera do universo chick-lit, que há muito eu não visitava. Na história de Nohane Carvalho, conhecemos Helena DeLaio, garota talentosa que sonha com a fama em sua ainda iniciante carreira de cantora, embora tenha que lutar com a desaprovação de sua mãe e dos produtores que insistem em ver seu corpo como “fora dos padrões”. Num piscar de olhos, e numa virada de página, um acidente é responsável por mudar sua vida, transportando-a cinco anos à frente, sem qualquer memória dos anos anteriores e com a descoberta do tão sonhado estrondoso sucesso na indústria da música. A atual vida de Helena parece perfeita ao lado de Thor, seu marido rockstar, em uma casa repleta de funcionários e uma horda de fãs, até que suas atitudes, decisões e comportamentos nos últimos cinco anos mostram que talvez a fama possa ter lhe transformado em uma Helena diferente daquela garota singela e sonhadora.  

Não se deixe enganar pelos primeiros capítulos do romance. A protagonista, que a princípio possa parecer comum, logo começa a demonstrar suas peculiaridades, sua forte personalidade e seu caráter. Sua evolução na trama deixa evidente o planejamento de desenvolvimento da personagem feito pela autora, aplicado à trama de modo que nos aproxima e nos cativa em poucos capítulos. Após algumas horas de leitura, já estava me considerando amigo próximo de Helena e confesso estar com saudades de suas loucuras.

Outro aspecto que evolui no decorrer da narrativa é o humor característico do gênero. Pequenas pílulas de um humor irônico e leve são acrescentadas à cada página, sendo responsáveis por nos lembrar de que a juventude ainda está fresca na mente de Helena já que, para ela, cinco anos se passaram em apenas alguns segundos. Aliado à protagonista, Thor, o suposto marido perfeito, é peça fundamental da trama, acrescentando muito aos momentos cômicos da narrativa através de sua sensualidade e malícia.

Apesar das diversas risadas, o romance também me tirou algumas lágrimas (sim, no meio do transporte público). Além do enfoque no romance do casal e em toda a situação adversa na qual Helena tenta recuperar as rédeas de sua carreira, “Devaneios” aborda diversas questões extremamente necessárias nos tempos atuais. A influência e crueldade da mídia no enaltecimento do corpo perfeito, assim como diversas formas de exploração às mulheres da área artística, são alguns tópicos que permeiam o romance, mas a choradeira rola solta quando Helena tem que enfrentar as relações com sua mãe e com seus amigos, completamente desestabilizadas nos anos esquecidos.

 O principal acerto da autora é a forma como ela cativa o leitor a cada página. Cada problema aparentemente solucionado por Helena funciona como uma porta para novas situações, novos dilemas e devaneios. O final de um capítulo é um convite irrecusável para o próximo e é impossível não se identificar com a protagonista e torcer para seu sucesso. “Devaneios de uma Famosa em Apuros” é perfeito para os fãs do gênero e para aqueles que desejam conhece-lo, além de ser uma excelente prova de que as publicações e os autores independentes merecem seu devido reconhecimento e mérito na literatura nacional.   


O livro, assim como sua continuação, está disponível na Amazon: http://a.co/fZBLp47


Siga a autora nas redes sociais!

Instagram: @nohanecarvalho
Youtube: Nohane Carvalho


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O Ceifador - Neal Shusterman


Os universos distópicos que, após o flop da série Divergente, pareciam ter perdido aquele fogo gerado por Jogos Vorazes, mostram que ainda têm potencial a ser explorado e um público a ser conquistado em séries como Black Mirror e livros como O Ceifador, publicado pela Editora Seguinte.

A obra de Neal Shusterman traz uma sociedade onde a tecnologia evoluiu para se unificar em uma única nuvem, a Nimbo-Cúmulo, que aplica as penalidades conforme as leis estipuladas, armazena e divulga informações, além de trazer de volta à vida aqueles que morrem. A cura para morte e para todas as outras doenças existentes parecia ser a solução para todos os problemas, até que o crescimento populacional excessivo resultou na criação do temido ofício dos ceifadores. As vidas coletadas pelos Ceifadores, não podem utilizar a tecnologia da Nimbo-Cúmulo para "revivação", e são condenadas ao desconhecido do pós-vida.

Embora nunca tenham sonhado com tal trabalho, os estudantes Citra e Rowan são escolhidos como aprendizes do rígido e metódico Ceifador Faraday, que os ensina seus valores, princípios e métodos de coleta, enquanto ceifadores mal intencionados, liderados pelo Ceifador Goddard, iniciam coletas em massa, violentas e torturantes, ignorando a centelha de humanidade que ainda existe naqueles que prestam o necessário serviço.

Além da atmosfera futurística, o livro se caracteriza, principalmente, por seus debates políticos, articulando questões como corrupção, o papel da mulher na política e a utilização do poder como forma de manipulação. Misturando a apresentação de uma nova organização social, com a vida sentimental dos adolescentes e a violência dos ceifadores de má índole, o autor ainda conseguiu acrescentar ao enredo um questionamento acerca das crenças religiosas e de suas importâncias na estrutura social.

A escrita de Shusterman e diagramação da Editora Seguinte fazem a leitura ser viciante. Cada capítulo termina em um cliffhanger que não te deixar largar o livro antes de desvendar o novo mistério proposto pelo autor. Sem dúvida, uma das leituras mais rápidas e proveitosas de 2017!

terça-feira, 28 de novembro de 2017

BANDA MIRIM BUDA - Dorival Valente



No romance que escrevo passeio por algumas questões de crença e fé. Para isso tive que estudar um pouco sobre o budismo. Já faz tempo que apareço algumas vezes no Zulai, sei um pouco das histórias e dos conceitos budistas. O Franco me ensinou muito nos tempos em que trabalhamos juntos em São Joaquim.
No domingo fui assistir a apresentação BUDA, da BANDA MIRIM. Que coisa linda!
Claro, há a presença da Nô Stopa, de quem sou fã de carteirinha...
O palco desnudo de cortinas, grandes varetas fazem o fundo e dão a impressão oriental necessária. Os atores cantam tocam dançam e se transformam ali mesmo.
Tudo muito suave, muito sereno, muito sincero. A fecundação e o parto do Buda é de uma poesia manifesta, poesia viva.
Em um primeiro momento, por saber que a apresentação seria da Banda Mirim, imaginei que a peça teria uma linguagem mais infantil. Enganei-me!
O texto atinge todas as idades. Tudo é suave (desculpem por usar
novamente “suave”, mas, creio, é a palavra que mais se encaixa). Não há exageros. Quando a plateia ri das situações encenadas, é um riso sereno. Quando o elemento maligno aparece, o medo não está presente.
O grande sentimento durante e depois da peça é o de PAZ!
Vá ao SESC Santana, leve seus pais, seus amores, suas crianças. A peça recebe bem a todos!

Vá!



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Acampamento de Inverno... (Clara Savelli) em Promoção na BlackFriday!

Oi pessoal, tudo bem?

Estou aqui para indicar uma promoção que vai rolar nessa Black Friday, 24/11! O livro Acampamento de Inverno para Músicos (nem tão) Talentosos, da Clara Savelli, estará apenas R$ 1,99 no site da Amazon!!!

É a chance de conhecer a história de Amanda, repleta de música, namoros e amizades, pagando bem baratinho :D

Para comprar o livro, clique aqui!

Para ler a resenha do VidaLida! Clique Aqui!



“Carioca da clara. Vive no seu próprio céu de diamantes. Gosta de pensar que é padawan da Meg Cabot, ainda que prefira o lado negro da força. Fez duas faculdades ao mesmo tempo, mas não tem um vira-tempo. Enquanto espera o convite de Zordon para fazer parte dos Power Rangers, passa o tempo livre escrevendo livros.” 
Clara Savelli é carioca, nascida em Outubro de 1991 e uma mulher de mil e uma utilidades: escritora, bacharel em Relações Internacionais e advogada.
Vencedora do Prêmio NRA 2009 nas Categorias "Melhor Livro Não-Concluído", "Melhor Autora" e "Melhor Entrevista". Vencedora do Prêmio Paulo Britto de Literatura 2011 na Categoria Prosa. Menção Honrosa no Concurso Internacional de Contos Vicente Cardoso 2012. Vencedora do Wattys 2015 e do Wattys 2016. 
Autora de Mocassins e All Stars, Acampamento de Inverno para músicos (nem tão) Talentosos, Tiete!, Chinelo e Salto Alto e diversos contos. Colunista semanal do blog Psicose da Nina, da Woo Magazine e redatora da Revista Publiquei!


Youtube: https://www.youtube.com/clarasavelli
Site Oficial: www.clarasavelli.com
Instagram: claraguta
E-mail: contato@clarasavelli.com
Snapchat: claraguta
Twitter: claraguta
Facebook: https://www.facebook.com/autoraclarasavelli

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

ZEIDE, de Caco Ciocler - por Dourovale


Aqui ou estamos de passagem, ou de paisagem. Como prefiro ser o fotógrafo a ser o fotografado, minha opção sempre foi estar de passagem. Nos meus tempos de Office-boy, todas as vezes que saia para fazer algum serviço mais longe eu preferia ônibus ao metrô. Gostava de olhar a rua, as pessoas, as casas, os acertos, os erros, as belezas e as feiuras do caminho. Naquele época eu produzia uma tv imaginária, TV DCV. Só eu sabia dela (pelo menos até agora). Havia vários programas, um para cada momento do dia.


Para as minhas andadas de ônibus eu apresentava O PEREGRINO. Programa moderno para aqueles anos 80. Visitava os lugares com minhas câmeras/olhos e comentava para meu fiel público (eu mesmo) o que via. Viajar sempre me fez bem. Mesmo antes da TV DCV, quando algumas vezes entediado, ia para o quintal, sentava no balanço que ficava em um galho de uma das goiabeiras e ficava admirando as nuvens. Vendo-as passar. Então eu me imaginava na janela de um avião, ou barco, ou trem.


Meu veículo, nem sei se eu já sabia disso, era o próprio planeta Terra. E se a gente pensar assim podemos entender que mesmo os que estão de paisagem, na verdade, estão, eles também, de passagem.
Não só, mas também por isso, a minha música preferida do Caetano Veloso é aquela em que ele descreve a visão de um passageiro de trem
As casas tão verde-rosa
Que vão passando
Ao nos ver passar
Os dois lados da janela
Há várias formas, opções, sugestões para nossa jornada. Aliás, a jornada não é única. Há várias viagens que realizamos durante esta nossa passagem.
Há, inclusive, uma viagem que se iniciou antes mesmo de nascermos e que continuará depois que estivermos em outra dimensão. Independente de termos ou não consciência ou informações sobre ela. Falo da nossa ascendência e nossa descendência. Falo da história que corre em nossas veias. Falo da história que temos e deixamos como herança. Família! Falo sobre o livro ZEIDE - A travessia de um judeu entre nações e gerações.
O lançamento foi em 25 de setembro de 2017.
É com esse livro que Caco Ciocler se lança nas aventuras da escrita.
Realidade e ficção se misturam num rocambole de histórias onde você não precisa tentar adivinhar o que é bolo ou o que é recheio. Apenas aceite a viagem. Viaje!
Não digo que há inspiração, mas também não digo que não, falo que ao ler o livro fui remetido a outra viagem literária. Não comparo estilos ou histórias, apenas fui transportado às lembranças da
leitura do MEU PÉ DE LARANJA LIMA, de José Mauro de Vasconcelos. Sucha me trouxe a imagem do Portuga. E o Boris ou o próprio Caco me resgataram algumas vezes Zezé, em outras o Luís. As mães dos dois livros poderiam ser amigas, ou confidentes.

E essa viagem familiar também está em ÉRAMOS SEIS, de Maria José Dupré. Um dos livros da minha infância. Está no sensacional CEM ANOS DE SOLIDÃO, do Gabriel Garcia Marques. Ou no A CASA DOS ESPÍRITOS, da Isabel Allende. Está em...
Há tantos livros bons que falam dessa viagem! E o fato de a leitura de ZEIDE me transportar para todas essas outras histórias só pode indicar que é uma obra de muita qualidade. É claro que um autor não se forma em um livro. Nem em 10, nem em 100, nem em todos os livros. Um autor se forma no momento da viagem literária. Seja o momento da escrita. Seja o momento da leitura.

Podemos falar de autores, das suas vidas. Essa é uma forma de viajar na literatura.
Podemos falar dos livros como consequência da experiência de vida de seu autor. Essa é outra forma de viajar na literatura.
Podemos falar apenas do livro em si, independente do autor. Mais uma maneira de viajar na literatura.
Podemos parar de falar e ler a obra de estreia, como autor, de Caco Ciocler.
Caco, feliz aniversário! E que suas novas opções de viajar nos façam criar novas viagens!


                   Obrigado!

sábado, 16 de setembro de 2017

O JARDIM DOS SONHADORES de Luccas Papp - por Dourovale



- Olá, John! Meu nome é Dorival.
Puxa, não sei como o Luccas vai entender isto. Será que vai pensar que é plágio? Melhor começar o texto de outra maneira...
Mas isto não é plágio. É intertextualidade! Eu posso escrever como se eu estivesse conversando com a personagem da história e comentar as minhas impressões sobre a estreia de “O JARDIM DOS SONHADORES” (com Lucas Papp e Joana Rodrigues. Temporada: 16/09 a 08/10 Sábados e domingos às 16h00 Ingressos: R$ 50,00 (inteira) DURAÇÃO: 70 minutos Classificação indicativa: Livre. VIGA ESPAÇO CÊNICO - Rua Capote Valente, nº 1323 – Pinheiros/SP Próximo ao metrô Sumaré).
Um grande amigo, chamado Omar Neder, diz que, diferente de muitos, eu vou além do portão. Sonho demais. Talvez seja por eu ser de câncer, como Raul Seixas. Ou pode ser por qualquer outro motivo.

A sua história, John, fala dos sonhos de um casal acasional (reunidos pelo acaso). E tem todos os ingredientes necessários para uma história de amor. Eu não vou entrar em detalhes para não estragar a emoção dos outros sonhadores que também irão assistir à peça.
Apesar de ser sonhador, John, eu não sou muito de fazer projeções, não tento adivinhar o futuro. Mas esse moço que te criou, o tal do Luccas Papp, se continuar desse jeito, nesse ritmo, nessa qualidade e com todos esses sonhos será, creio, uma das principais pessoas envolvidas com Teatro no Brasil.
Escritor, produtor, ator, professor... e outras infinitivas palavras terminadas em R, que me fogem agora dos dedos, mas que também significam ação e criação, podem ser adjetivadas ao garoto de apenas 24 anos. Foi a terceira peça dele e com ele que assisti. Só tenho elogios e admiração.
Foto Alan Moraes
John, meu universo é bem menor do que eu gostaria. Talvez minha alma seja mesmo mais tupiniquim do que apache. Enquanto via e ouvia sua história pensei que no lugar do Central Park a história poderia se passar no Ibirapuera; que ao invés de John, você poderia se chamar Raul (Luar ao contrário, olha que poético e sonhador!);  que a Olívia poderia se chamar Ellis, ou Nara, ou Zizi;  e que no lugar dos The Beatles e dos Rolling Stones poderiam ser Os Paralamas e A Legião.
Pode ser que os nomes sejam como são para dar à peça uma abrangência mais global (esse menino vai longe). Mas, meu amigo John, se a peça for encenada em Lisboa, por exemplo, pode se passar no Jardim da Praça do Imperador e com os nomes dos cantores lusos. Se for em Madrid, no Jardim De La Rosaleda. (pesquisei esses nomes no Tripadvisor, ainda não os conheço). Isso é só um pensamento que sempre tenho, não é crítica, talvez sugestão.
Foto Rosana Xavier
“O Jardim dos Sonhadores” é um texto que traduz a linguagem atual. O tema está conectado e ajustado a sua contemporaneidade.  Os atores muito bem dirigidos por Alan Moraes. Joana Rodrigues é (que a Rosana não me ouça) apaixonante. A banda (desculpe por ficar devendo seus nomes) não está de uma maneira alheia (ou à parte), está muito bem integrada à história e às cenas.
O Viga Espaço Cênico traz essa boa nova tendência de plateias pequenas e próximas aos atores. Artistas artes artevisionários (aqueles que assistem à arte) juntos e motivados.
John, meu nome é Dorival! Fui assistir a sua peça. Voltei para casa correndo. Precisava escrever este texto agora para não perder a boa emoção que a encenação, sua e de sua trupe, me causou.

Agora preciso ir trabalhar...
Obrigado!